sábado, 16 de julho de 2011

Nativos Digitais versus Imigrantes Digitais




Atividade 1 - Perfil do estudante digital

Objetivo: Identificar e discutir as características atribuídas ao estudante digital.

Competências a desenvolver: Traçar o perfil do estudante digital.

Proposta de trabalho:
  1. Constituição livre dos trios de trabalho;
  2. Leitura e análise dos textos disponibilizados;
  3. Elaboração do perfil do estudante digital, num documento de Powerpoint;
  4. Apresentação do trabalho no Fórum A1;
  5. Discussão no Fórum dos trabalhos apresentados;
Recursos de aprendizagem:

Prensky, M. (2004) The Emerging Online Life of the Digital Native: What they do differently because of technology and how they do it. 1-14.

Prensky, M. (2001) Digital natives, digital immigrants. In On The Horizon (Vol9, nº 5). NCB University Press.

Link: Residentes Vs Visitantes Digitais?!

http://tallblog.conted.ox.ac.uk/index.php/2009/10/14/visitors-residents-the-video/

Contributos do autor ao Fórum A1:


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Re: Vamos dialogar!!!!!
por Jorge Soares - Quinta, 21 Abril 2011, 16:43

Olá Professora e Colegas,

Depois de algum silêncio e o saber ouvir também é aprender, gostaria de deixar aqui algumas reflexões tendo por base a pertinência das questões da Professora Daniela e os comentários dos colegas.
Claramente que estamos perante diversos desafios, um que na minha opinião se destaca é a necessidade de conseguir passar a mensagem de orientação, aconselhamento. Embora haja um desfasamento entre aquilo que uma criança ou um jovem opinam sobre os vastos recursos tecnológicos, torna-se incontornável tecer uma comparação aos Pais e Professores. Estamos perante gerações distintas e como tal existem diferentes pontos de vista que não têm que ser necessariamente antagónicos. Pelo contrário estes devem ser vistos como oportunidades numa perspetiva de complementaridade, onde os Pais e Professores por força da sua experiência de vida podem contribuir para clarificar e esmiuçar alguns comportamentos menos bons e com reflexos nocivos na formação da criança ou do jovem. Contudo importa a quem aconselha, quem orienta aproximar-se da criança ou do jovem, aqui considero que a prática fala mais alto. Que peso terão os Pais ou Professores ao aconselhar numa dada temática se nunca a usaram? Como poderei ajudar se não falo a mesma “linguagem”?

Julgo que estamos perante um outro desafio, a necessidade de estar na “crista da onda”? Questões do tipo, “olha a utilização do Skype é muito melhor que o Messenger”, parece-me um bom exemplo ou do tipo ““saquei” a última versão do Security Essencials e está espetacular”. Mas também o reconhecimento de competências nas crianças e nos jovens é seguramente um outro desafio que deve ser trabalhado, pois permite a quem pode e deve instruir e formar, criar uma simbiose entre o formando e o formador, como exemplo “Sabes como instalo o Windows 7 mobile no meu PDA? Já vi que conseguiste no teu.” Pessoalmente isso já se passou comigo, na minha licenciatura numa UC designada por TCI, o meu Professor perguntou-me se eu queria complementar aquilo que ele tinha dito sobre um determinado assunto, pois este sabia que eu dominava aquela parte da matéria. Ainda hoje eu levo sempre em conta as opiniões deste meu antigo Professor e também amigo, pois sempre soube respeitar os estudantes, vendo o papel de ambos como atores principais e não apenas o principal (Professor) e os outros secundários (Estudantes).

Há claramente uma utilização quase que do berço na utilização das novas tecnologias, o problema é que não há reflexão, não há uma sustentação e um entender como funcionam e o porquê e razão do seu aparecimento. Desde sempre que fui contra a utilização de qualquer recurso sem antes ler o Manual, isto porque mais do que uma boa prática, considero que só é possível aproveitar todas as funcionalidades se conhecermos minimamente o recurso. Hoje isso não se aplica, pois o que interessa “é que se liga naquele botão, depois é usares assim e já está”. Esta forma permissiva e redutora de tudo que é novidade é intuitivo e só os “totós” é que se preocupam como é que funciona leva-me a invocar a questão das “cenouras”. Estas para muitos nativos digitais já nascem embaladas e prontas a serem comidas, como são plantadas ou retiradas da terra é algo que nem sequer vale a pena falar, pois é uma “grande seca”.

Obviamente que a curva de aprendizagem de uma nativo digital é seguramente mais interessante, contudo considero que esta conclusão é uma falsa questão, pois entre dominar o que é importante e saber de tudo muito pouco, o que será mais competitivo? Não será esta nova geração apenas do “show off”?

Obviamente que a culpa não é deles, pois uma grande parte destas inovações tecnológicas são consequência do trabalho de indivíduos da nossa geração e de outras anteriores, que por força do desenvolvimento e da competitividade não olharam às consequências mas apenas ao lucro. Prova disso é a alta taxa de desemprego nesta geração de nativos digitais que conseguem enviar 100 SMS por hora, que sabem descarregar trabalhos académicos e apenas mudam o nome do autor, contudo não entendem que o Planeamento e Gestão de Recursos de uma organização não são feitos executando o “start and run”.

Mas outro aspeto se destaca, aliás vejo como duas keywords, o estar “ativas" e "profissionalmente”, estas podem muito bem ditar a diferença, o indivíduo ativo não baixa os braços às dificuldades encontradas, não se acomoda, tenta ser competitivo. Será que o nativo digital terá oportunidade de mostrar as suas competências como profissional, quando o emprego é apenas uma miragem? Claro que esta é uma outra questão que extravasa as temáticas aqui abordadas, embora que haja um elo de ligação que não deve ser desvalorizado.

Para terminar proponho partilhar convosco um estudo de Jacques Piette da Universidade de Sherbrooke sobre “Os Jovens e a Internet: De que público se trata?”, este estudo está descrito no livro Ecrãs em Mudança, da Livros Horizonte, cujo seu autor e coordenador José Carlos Abrantes faz menção a uma investigação assente em três questões centrais:

- Qual a representação que os jovens têm da Internet?

- Qual a utilização efetiva que os jovens fazem da Internet?

- Como é que se concretiza a apropriação da Internet pelos jovens?

Há aqui uma conclusão deste estudo muito interessante, não só porque o mesmo embora agrupando diversos investigadores de diferentes países, Portugal foi um dos visados. Isto porque é destacado o papel paradoxal da escola e o porquê do paradoxal? Porque o primeiro contacto dos jovens interrogados no estudo com a Internet é feito na Escola (41%), sendo o lar apenas responsável por 20%. Como tal há que destacar a pertinência das questões da Professora Daniela, é que este estudo destaca o papel da Escola Portuguesa como “…. lugar de desenvolvimento prioritário para colocar os jovens em contacto com a Internet, o que não acontece em todos os países….”. Por outro lado o estudo também destaca a fraca abordagem, muitas vezes sem profundidade da Internet, ora este aspeto pode contribuir para uma superficialidade e facilitismo do uso deste poderoso recurso, como tal é um desafio para os docentes inverter este cenário.

Deixo aqui uma frase interessante do Jacques Piette “A Internet e a escola: o ecrã não deve apagar o quadro nem o professor”.

Bom trabalho!

Jorge Soares



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Re: Continuando o diálogo mais um pouquinho.....
por Jorge Soares - Terça, 26 Abril 2011, 02:03

Cara Professora e caros Colegas,

Embora exista um conjunto significativo, neste Mestrado, de colegas que certamente terão muito mais experiência do que eu, pois são Professores de carreira, o que não é o meu caso, eu apenas sou um apaixonado pelo tema, tenho plena convição que a figura do estudante digital, bem como o modelo subjacente ao mesmo veio para ficar.

O entusiasmo de toda esta discussão, centrada nos diversos trabalhos por nós expostos, reflexões, muitas delas interessantes, pois são o resultado, não apenas das leituras, pesquisas efetuadas, mas também da experiência profissional de cada um de nós, leva-me a concluir o seguinte:

Acredito que os nativos digitais são obra dos imigrantes digitais, aliás faço analogia com uma apresentação de um grupo, onde é possível ver a evolução da espécie humana. Mas mais interessante é assistir às implicações do estudante digital quando este se tornar professor. Há aqui um conjunto de implicações desde o desenho da componente curricular até aos próprios conteúdos que forçosamente irão ser alterados.

Quando a Professora Daniela coloca a frase “Os imigrantes não atingem, nem gostam, do ritmo dos nativos digitais.”, eu acredito que não se trata de não gostar, os imigrantes têm procurado criar um modelo sustentável, a aprendizagem é constante, mas esta é feita por etapas e na medida em que subimos os degraus de uma escada que se pretende longa e enriquecedora somos capazes de interiorizar o conhecimento.

Perguntem a um indivíduo com 80 anos com o liceu ou um curso superior completo, aspetos base da matemática ou outra qualquer disciplina nuclear que ele certamente responderá com muita mais segurança e demonstrando sólidos conhecimentos do que o mesmo individuo 60 anos mais novo.

Aliás esta evidência que julgo todos nós já termos experimentado pelo menos uma vez na vida, leva-me a focar outra característica na tabela comparativa entre os “nativos” e os “imigrantes”. A aprendizagem é vista pelos nativos como um processo normal, o qual a par de outros não merece destaque e como tal não merece o formalismo do imigrante. Esta aprendizagem também é um reflexo dos tempos que vivemos.

O Estudante Digital é produto de vários acontecimentos, muitos deles gerados pela conjugação de alterações tão rápidas, que mesmo aqueles que os produziram não tiveram a oportunidade dos analisar com detalhe. Esta situação que cria inquietação, pois o homem gosta de ter o controlo, pode muito bem gerar aquilo que eu designo nas TI, os falsos positivos. Há uma falsa constatação deste modelo binário, o nativo, residente digital ou imigrante, visitante digital.

Será que não precisamos de introduzir aqui uma lógica do 3.º estado? Algo que ajude a fazer a ponte entre os dois perfis? Minimizando o risco das exclusões e de um modelo que embora recente, já peca por falhas “analógicas”, quando este deveria ser 100% digital.

Até já!

Jorge Soares


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Re: Grupo Vermelho - Perfil do Estudante Digital
por Jorge Soares - Sexta, 22 Abril 2011, 15:55

Caros colegas,

Destaco particularmente uma frase, julgo que como conclusão da vossa apresentação e que dizem "Claramente o Estudante Digital se encaixa no perfil de Nativo Digital". Eu diria que há uma complementaridade e se o Nativo Digital possui determinadas "skills" para se adaptar, talvez o estudante digital por força da enorme dinâmica tenha perdido estas qualidades.

Estará ele (estudante digital) preparado para um retrocesso?

Como tal a vossa apresentação possui o mérito de contribuir para a reflexão.

Bom trabalho!

Jorge Soares

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por Jorge Soares - Sexta, 22 Abril 2011, 17:06

Caros colegas,

Num trabalho sobre o "Perfil do Estudante Digital" está implícita a utilização de ferramentas colaborativas, pelo menos, fazemos jus ao tema. sorriso
Gostei particularmente da ideia de terem usado o "slidshare" como forma de divulgação da vossa apresentação.

Bom trabalho!

Jorge Soares

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por Jorge Soares - Sexta, 22 Abril 2011, 16:26

Caras colegas,

Destaco alguns aspetos da vossa apresentação que contribuem para ajudar a compreender a evolução do perfil do Estudante Digital, nomeadamente ao contextualizarem cronologicamente, embora recorrendo ao que os estudantes digitais apreciam um bom vídeo sorriso, com tradução. Acessibilidade e usabilidade, elementos importantes para o sucesso numa apresentação, também aqui presentes.

Bom trabalho!

Jorge Soares

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por Jorge Soares - Sexta, 22 Abril 2011, 15:37

Caras colegas,

Interessante a conclusão por tópicos, em concreto, a utilização de "keywords" que acabam por reter o que é relevante.

Bom trabalho!

Jorge Soares

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por Jorge Soares - Sexta, 22 Abril 2011, 00:56

Caros colegas,

Gostei particularmente de um aspeto implicitamente abordado:

- A infoexclusão.

Merecem também destaque os vídeos sobre os nativos e imigrantes digitais.

Bom trabalho!

Jorge Soares


Elaboração do Perfil do Estudante Digital em MS Powerpoint

Em seguida é apresentado a imagem do 1.º slide do trabalho realizado pelo nosso grupo Roxo, atividade realizada âmbito do Ponto 3 - Elaboração do perfil do estudante digital, num documento de Powerpoint.


Reflexão pessoal:

Sendo eu um entusiasta destes temas, esta atividade teve o mérito de suscitar uma reflexão aprofundada do meu papel enquanto profissional de carreira na área das TI, em contraponto com estudantes que têm trabalhado comigo, por força do meu papel enquanto orientador de estágio.

Um dos maiores desafios quando nos debruçamos num determinado tema, será porventura, a possibilidade de ter acesso a bibliografia de qualidade que nos possibilite alguma orientação e evite caminhos ambíguos e repletos de ruído. Como imigrante digital, uma das nossas qualidades é ler, procurar o saber aliando um bom livro ao cuidado em tirar notas. Mas isto nem sempre é possível, pois as bibliotecas, as livrarias não estão à distância de um clique, pelo menos a possibilidade de sentir o livro, poder folhear, deixar por momentos a nossa imaginação fluir não se ajuste aos horários enquanto homem imigrante digital trabalhador.

Felizmente as nossas docentes tiveram a preocupação em disponibilizar boa bibliografia, lá está, embora por via do clique. Contudo, certamente que concordam que quando gostamos de um determinado tema, é fundamental que também possamos complementar esta preciosa ajuda, nomeadamente em busca de mais bibliografia.

O mundo atualmente roda para os nativos digitais, eles possuem acesso com muitas melhores condições ao conhecimento do que nós há anos atrás, infelizmente, os resultados concretos de aproveitamento não são os melhores e os imigrantes digitais são os que têm sabido melhor aproveitar estes bons ventos. Tal como recebi os conhecimentos adquiridos pela discussão deste tema como uma oportunidade única, com pessoas únicas, mais do que tudo é importante existir discussão e reflexão.

Outro tema que suscitou o meu interesse está relacionado com o trabalho de David White (2008) e que sendo mais recente, muito embora, o trabalho de Prensky (2001), relacionado com os nativos e imigrantes digitais seja relevante e constitua os alicerces desta nova cultura, em concreto, os residentes e visitantes digitais.

Assim considero e em jeito de conclusão, como aliás, já tive oportunidade de colocar um "post" nesta atividade que considero um resumo (ver "Continuando o diálogo mais um pouquinho"). Também é urgente existir um acompanhamento por parte dos docentes e instituições de ensino destes novos perfis, só assim é possível assegurar uma continuidade na transmissão e interação com este tipo de público. As instituições de ensino têm que antecipar e propor alterações aos seus programas com vista a que não haja um risco de desagregação e perda de sustentabilidade do ensino.


Recurso complementar

Em seguida é apresentado um recurso multimédia que ajuda a entender o trabalho de Prensky e de White.



Selecionando o vídeo acima "Are You a Digital Native?" é possível visualizar imagens do tipo banda desenhada a correr neste vídeo. Embora estejamos perante um vídeo sem som, as imagens falam por si.